Coco Chanel: conheça a história dessa estilista de sucesso

Coco Chanel: conheça a história dessa estilista de sucesso

Chapéus, pérolas e o perfume mais vendido do mundo. Não é preciso muitas palavras para evocar a figura elegante, imponente e inconfundível de Coco Chanel.

Nascida, Gabrielle Bonheur Chanel, a icônica e inesquecível estilista faria 135 anos hoje, 19 de agosto.

Sua nada breve história é recheada de desafios, amores, sexo, polêmicas e muita criatividade, capitaneados por um olhar nada convencional do mundo.

A personalidade marcante dessa figura icônica revolucionou o mundo da moda de uma forma surpreendente. Sim, sua história surpreende, encanta, ensina – e vale a pena ser contada por gerações.

Coco Chanel

Coco Chanel, o apelido que veio da música

Do berço bastardo de pais não casados e da infância no orfanato Coco Chanel queria distância. As histórias inventadas nem sempre batiam, mas calavam os abelhudos.

O vínculo que se tornaria eterno com o mundo da moda teve início aos 18 anos. Transferida para um pensionato, começou a trabalhar em um armarinho na cidade de Moulins, região central da França.

Mas era da noite que viria o apelido que transformou Gabrielle definitivamente em Coco. No café La Rotonde, a jovem bonita de longos cabelos negros cantava as duas únicas músicas que conhecida bem.

Dos refrões quase idênticos de Qui qu’a vu Coco (Quem foi que viu Coco) e Ko-ko-ki-ko surgiu o apelido, dado pelos rapazes do 10º Regimento de Cavalaria. Assíduos frequentadores do café, foi um deles, Etienne Balsan, seu primeiro amor.

Primeiro, mas não o único – e todos se tornariam grandes amigos com o decorrer da vida, ajudando-a a formar seus negócios.

Sem ‘fruteiras na cabeça’

A essas alturas Chanel já tinha ideias bastante diferentes sobre a moda da época e que influenciariam toda a Europa antes mesmo da Primeira Guerra Mundial.

Em vez de “fruteiras na cabeça”, como dizia, Coco Chanel preferia acompanhar o amante ao hipódromo com um chapeuzinho de palha preso com um alfinete.

Com verdadeiro horror aos babados que eram moda absoluta na época, Coco Chanel começou também a adaptar os trajes masculinos de Etienne. Paletós e gravatas eram constantemente agregados a vestidos mais básicos.

Logo seu estilo chamou a atenção de artistas, escritoras e desportistas, as mulheres malfaladas de seu meio na hipócrita e rígida sociedade moralista de então.

Foi quando conheceu o segundo amor, o bonito Arthur Capel, conhecido como Boy, e com quem fugiu para Paris.

Chegou até a deixar um bilhete para Etienne, mas a verdade é que manteve com ambos um triângulo amoroso que durou dois anos.

Foi em Paris, onde, no estúdio emprestado de Etienne e com o dinheiro de Boy, abriria em 1909 seu primeiro negócio: uma chapelaria.

De modelista a estilista por causa de uma malha velha

Na Cidade da Luz, logo seus chapeuzinhos de palha, conhecidos como canotiers, fizeram sucesso a ponto de estamparem uma página inteira da influente publicação de moda Les Modes.

Pouco depois foi a vez de assinar o penteado e os chapéus da atriz Gabrielle Dorziat para a peça Bel Ami. Foi o que bastou para Coco Chanel abrir sua primeira das duas lojas que teria em apenas dois anos.

E é lá, na Rue Cambon 31, paralela à alameda parisiense das grandes grifes, a Faubourg Saint Honoré, que até hoje funciona a sede histórica da marca.

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A até então modista, termo usado na época para descrever designers de chapéus e penteados, Coco Chanel logo seria elevada à categoria de estilista por uma ousadia criativa.

Em veraneio com Boy no famoso balneário de Deauville, com frio, Chanel pegou uma malha antiga do namorado e, em vez de vestir pela cabeça, decidiu abrir a parte da frente, criando uma espécie de gola.

Com os retalhos da malha improvisou um cinto e aplicou dois bolsos generosos em uma altura que as mãos ficassem bem confortáveis.

O sucesso foi imediato e Coco Chanel vendeu dez modelos iguais praticamente na mesma hora em que apareceu com o modelito. Era a criação da roupa esporte, de acordo com os colunistas da época.

No mesmo ano, 1913, agora estilista abriria sua segunda loja, ali mesmo, na charmosa Deauville.

Pérolas de Chanel

Chanel causou surpresa e angariou uma legião de fãs por onde passou com suas ideias inusitadas para a época.

Revolucionária, instigante e provocadora, não tinha pudor em definir a moda como um negócio, não como uma arte. Não foi à toa que construiu, sozinha, um império que ainda hoje é um dos alicerces do mundo da moda.

Quando as saias arrastavam no chão, Chanel mostrou os tornozelos. Quando só as bailarinas dos cafés cortavam os cabelos no queixo, Chanel mostrou a nuca.

Quando armações e babados ditavam a moda, Coco Chanel criou as linhas retas, os cortes confortáveis e transformou em femininas as roupas masculinas, com uma elegância atemporal.

Coco Chanel

Em uma época em que as mulheres iam à praia com saias longas, Coco Chanel era bronzeada. Seu maiô era pudico, mas feito dos suéteres usados de Boy.

Assim surgiram também duas de suas marcas mais profundas na moda, o tailleur e os fartos colares de pérolas falsas.

Pérolas, aliás, que geraram pérolas: “Deve-se misturar o falso com o verdadeiro. Pedir a alguém que só use joias verdadeiras é como pedir que se cubra apenas com flores de verdade, em vez de vestir uma roupa estampada florida”, dizia.

Associações perigosas

Mademoiselle Coco Chanel foi uma mulher de muitos amores, entre eles o ilustrador Paul Iribe, um simpatizante do nazismo e por quem chegou a financiar uma revista fascista onde era editor.

Casado, os dois foram amantes por 40 anos, até a morte de Mademoiselle, em 10 de janeiro de 1971, no Hotel Ritz, onde morava. Iribe morreu quatro anos depois

Coco Chanel já morava no Hotel Ritz quando lá se hospedou o alto comando alemão após a marcha dos soldados de Hitler sob o Arco do Triunfo.

Enquanto a França via aterrorizada a entrada das tropas hitlerianas, a proximidade e a perigosa colaboração com o fascismo fizeram com que Coco Chanel ficasse na mira da resistência. Depois de um interrogatório da base aliada por mais de três horas, Mademoiselle decidiu fechar as lojas, que só voltariam a abrir as portas em 1953.

Gotas que alavancam vendas

Longe das passarelas, longe das vitrines e longe da produção. O único produto da marca à venda era o Chanel nº 5, que havia sido encomendado em comemoração aos 40 anos da estilista, anos antes, em 1923.

Na época, reza a lenda que Ernest Beaux, o químico responsável pela fragrância, usou mais de 80 substâncias para chegar às exigências de Coco Chanel. Das oito amostras apresentadas, a quinta foi a escolhida, dando nome ao perfume.

Se Chanel revolucionou a moda, o perfume revolucionou a indústria da perfumaria, com o aroma e a embalagem de linhas retas. Mas foi apenas em 1955 que um outro ícone elevaria ainda mais o status do produto.

O perfume, até hoje o mais vendido do mundo, teve suas vendas dobradas instantaneamente após Marilyn Monroe contar que dormia apenas com três gotinhas de Chanel Nº 5.

Em 1926 a estilista criaria outro ícone da moda, o pretinho básico, que mais tarde seria eternizado por Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo” (1961).

A extensa lista de criações revolucionárias da estilista torna difícil dizer onde, no mundo da moda de hoje, não há influência de Coco Chanel.

Coco Chanel

Desde que reabriu as portas, Coco Chanel trabalhou até seu penúltimo dia de vida – porque era um sábado.

No dia seguinte, 10 de janeiro de 1971, depois de tantos amores e emoções o coração finalmente decidiu descansar. Era um domingo, dia que dizia odiar porque era o único em que não inventava nada.

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